Ventosaterapia na Quick Massage: Risco ou Benefício?

Olá, meus nobres colegas da SBMTI. Aqui é o Eduardo Henrique.

​Dando continuidade à nossa série de aprofundamento técnico, hoje vamos abordar um cenário muito comum no nosso dia a dia, mas que esconde armadilhas éticas e técnicas: a Quick Massage.

​Na filosofia, Sêneca escreveu um tratado chamado Sobre a Brevidade da Vida. Ele dizia que “não é que tenhamos pouco tempo, mas desperdiçamos muito“. No mundo corporativo, onde a Quick Massage reina, o tempo é a moeda mais valiosa. Temos 15 minutos para gerar bem-estar.

​Nesse curto intervalo, surge a tentação de usar ferramentas poderosas para “acelerar” o resultado. E a campeã de audiência (e de polêmica) é a Ventosaterapia.

​Mas será que usar ventosas no escritório, entre uma reunião e outra, é uma estratégia sábia ou um risco desnecessário? Vamos analisar o Tema 6 sob a luz da fisiologia e da ética profissional.

​A Fisiologia do Tempo: 5 Minutos Funcionam?

​Primeiro, vamos à ciência. Muitos terapeutas hesitam em usar ventosas em sessões curtas por acharem que “não dá tempo de fazer efeito”.

​A fisiologia nos mostra o contrário. A hiperemia (aumento do fluxo sanguíneo) gerada pela pressão negativa da ventosa é quase imediata. Estudos sobre hemodinâmica cutânea mostram que, em questão de 3 a 5 minutos de sucção, já ocorre:

  1. Vasodilatação local significativa: O que traz oxigênio e nutrientes para o tecido tenso.
  2. Efeito Reflexo: O estímulo nos receptores da pele envia um sinal ao Sistema Nervoso Central para “baixar o tom” daquela musculatura (relaxamento).

​Portanto, cientificamente, sim: é possível obter um efeito terapêutico rápido com a ventosa. A ferramenta é válida. O problema não é a eficácia, é o efeito colateral visual.

​O Dilema Ético e Social: A “Marca” na Sala de Reunião

​Aqui entramos no campo da Bioética e da etiqueta corporativa.

​A ventosaterapia estática (aquela em que deixamos o copo parado) tem como consequência clássica a equimose (ou as petéquias, o famoso Sha da Medicina Chinesa). Para nós, terapeutas, aquele círculo roxo ou vermelho escuro é sinal de “estagnação de sangue” sendo tratada. É terapêutico.

​Para o chefe do seu cliente, ou para os acionistas numa reunião 10 minutos depois, aquilo pode parecer um “chupão”, um hematoma de agressão ou, no mínimo, algo visualmente estranho que distrai e constrange.

O Princípio do Consentimento Informado:

Na filosofia moral, a autonomia do indivíduo é sagrada. Você jamais deve deixar uma marca visível no corpo de um paciente sem que ele tenha explicitamente concordado com isso e entendido as consequências sociais daquilo.

​Imaginem a cena: O Diretor faz uma Quick Massage. Você aplica ventosa estática no trapézio superior. Ele sai relaxado, coloca a camisa branca (que as vezes é translúcida) ou, pior, se for uma diretora com uma blusa mais aberta, e vai presidir uma mesa. A marca roxa no pescoço vira o assunto da reunião.

​Isso não é terapia, isso é um ruído na imagem profissional do seu cliente. E a culpa é nossa, por falta de prudência (Phronesis, na ética aristotélica).

​A Solução Técnica: Ventosa Deslizante (Moving Cupping)

​Se a ventosa é boa, mas a marca é perigosa no ambiente corporativo, qual o caminho do meio?

​A resposta técnica é a Ventosa Deslizante.

​Ao invés de deixar o copo parado sugando o mesmo ponto até estourar os capilares superficiais (gerando a marca), utilizamos uma quantidade mínima de creme ou óleo e deslizamos a ventosa ao longo das fibras musculares e fáscias.

Por que esse é o Protocolo de Ouro na Quick Massage?

  1. Sem Marcas Fixas: O movimento constante dispersa a pressão. A pele fica vermelha (hiperemia), o que é bom e some rápido, mas raramente fica roxa (equimose).
  2. Liberação Miofascial: O arrasto da ventosa ajuda a “desgrudar” a fáscia superficial, excelente para quem fica digitando o dia todo com os ombros encolhidos.
  3. Sensação de Alívio: A sensação é de uma massagem profunda, ideal para soltar a tensão em pouco tempo.

Atenção Logística:

A Quick Massage tradicional é feita sobre a roupa. Para usar ventosa (mesmo a deslizante), é preciso contato com a pele. Isso exige uma adaptação: pedir licença, expor a região dorsal (com todo cuidado e drapejamento, se possível) e usar um meio deslizante que não manche a camisa social do cliente depois. O uso de óleo sólido ou cremes de rápida absorção é mandatório aqui. Nada de deixar o cliente “melecado”.

​Conclusão: Ferramenta certa, Momento errado?

​A sabedoria do terapeuta não está em saber aplicar todas as técnicas, mas em saber quando não aplicar.

​Se o cliente permite, se não há risco de exposição social e se há queixa de dor pontual, a ventosa é bem-vinda. Mas no ambiente corporativo padrão, onde a imagem é tudo, a Ventosa Deslizante é a rainha, e a Estática deve ser a exceção da exceção.

​Cuidemos do corpo, mas cuidemos também da dignidade e da imagem social de quem confia em nossas mãos.

“Mãos que curam precisam de mentes que estudam.”

Um abraço fraterno e até a próxima reflexão.

Eduardo Henrique

Coordenador Nacional de Terapias Integrativas – SBMTI

(RQMTI-SBES-068)

Filósofo | Massoterapeuta Integrativo | Eterno Aprendiz

Vamos debater: Você usa ventosa na Quick Massage? Já teve algum cliente que reclamou das marcas depois? Conte sua experiência nos comentários! 👇

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