Olá, comunidade da SBMTI. Aqui é o Eduardo Henrique.
Na Alegoria da Caverna, Platão descreve prisioneiros que vivem acorrentados, olhando para uma parede onde veem apenas sombras projetadas. Para eles, aquelas sombras são a única realidade. Aquele que se solta e sai da caverna descobre que as sombras eram apenas distorções da verdade, iluminadas pelo sol do conhecimento (Episteme).
No nosso mercado de trabalho, existe uma “sombra” muito difundida, um rumor persistente de que “o curso superior de Massoterapia não vingou” ou que “o MEC não reconhece essa formação”.
Hoje, convido vocês a saírem da caverna da opinião (Doxa) e olharem para a luz dos dados oficiais. Vamos dissecar o Tema 7 e entender por que o Tecnólogo em Massoterapia não é apenas real, mas é a via expressa para a elite intelectual da saúde.
Mito vs. Realidade: O Que Diz o MEC?
Muitos colegas, por desconhecimento, repetem que a Massoterapia é apenas nível técnico ou livre. Isso é uma inverdade perigosa que desestimula o crescimento da classe.
O curso Superior de Tecnologia em Massoterapia consta no Catálogo Nacional de Cursos Superiores de Tecnologia do Ministério da Educação (MEC). Ele pertence ao Eixo Tecnológico de “Ambiente e Saúde”.
Não é um curso “inventado” por escolas particulares para vender diploma. É uma graduação oficial. Instituições sérias como a Uninter, o Instituto Federal do Paraná (IFPR) e a Unifatecie (onde eu mesmo busco minha formação) oferecem ou já ofereceram esta grade, com reconhecimento e nota pelo MEC.
Dizer que o curso “não vingou” porque existem menos faculdades de Massoterapia do que de Enfermagem é um erro lógico. Existem menos faculdades porque somos uma profissão em maturação. A demanda qualificada cria a oferta. Se nós, terapeutas, não buscarmos o nível superior, as faculdades não abrirão turmas.
O Abismo de Carga Horária: Técnico vs. Tecnólogo
A diferença não está apenas no nome do diploma, mas na profundidade da piscina onde você mergulha.
- O Nível Técnico (~1.200 horas): O foco é o “Saber Fazer” (o Techne grego). O técnico é treinado para executar protocolos com excelência, entender anatomia básica e patologia para não cometer erros. É a mão de obra operacional qualificada.
- O Nível Tecnólogo (2.000 a 2.400 horas): O foco é o “Saber Pensar o Fazer”. Além da técnica aprimorada, o tecnólogo mergulha em gestão de saúde, biossegurança avançada, metodologia científica, citologia e histologia profunda. Enquanto o técnico aprende “como fazer a manobra”, o tecnólogo estuda “o que acontece na mitocôndria da célula muscular quando a manobra é feita”. Essa visão macroscópica e microscópica muda o jogo clínico.
A Vantagem Oculta: O Passaporte para a Docência e Pesquisa
Aqui está o ponto que a maioria ignora e que muda vidas.
Ao se formar Tecnólogo, você é Graduado. Isso significa que, perante a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), você está no mesmo degrau acadêmico de um Enfermeiro, um Fisioterapeuta ou um Advogado.
Isso lhe abre portas que o nível técnico (médio) não abre:
- Pós-Graduação Lato Sensu: Você pode se tornar Especialista em Acupuntura, em Dor Crônica, em Saúde da Mulher, com certificados reconhecidos pelo MEC.
- Mestrado e Doutorado (Stricto Sensu): Sim, um Massoterapeuta Tecnólogo pode fazer mestrado em Ciências da Saúde, em Anatomia, em Saúde Pública. Você pode se tornar um Doutor e produzir ciência, publicando artigos que provam que a massagem funciona.
- Docência no Ensino Superior: Com a graduação e uma pós, você pode dar aulas em faculdades. Queremos melhorar o ensino da massoterapia? Precisamos de massoterapeutas ocupando as cadeiras de professores nas universidades, e não apenas médicos ou fisioterapeutas ensinando o que nunca praticaram.
Conclusão Filosófica
Francis Bacon dizia que “Conhecimento é poder”.
Manter a classe acreditando que o nível superior “não existe” ou “não vale a pena” é uma forma de manter a massoterapia submissa, pequena e sem poder de argumentação científica.
O Tecnólogo “vingou” sim para quem quer sair da média. Ele é a ponte entre o artesão (que trabalha apenas com a repetição) e o cientista clínico (que trabalha com evidência e raciocínio crítico).
Se você ama a massoterapia e quer vê-la respeitada como área da saúde, considere fortemente o caminho acadêmico. O futuro da nossa profissão não será construído apenas com mãos habilidosas, mas com mentes graduadas.
“Mãos que curam precisam de mentes que estudam.”
Um abraço fraterno e até a próxima reflexão.
Eduardo Henrique
Coordenador Nacional de Terapias Integrativas – SBMTI
(RQMTI-SBES-068)
Filósofo | Massoterapeuta Integrativo | Eterno Aprendiz
Vamos dialogar: Você sabia que, como Tecnólogo, poderia fazer um Mestrado? O que te impede hoje de buscar o nível superior: tempo, dinheiro ou falta de informação? Comente abaixo! 👇

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