Sejam bem-vindos(as) à coluna “Reflexões do Networking”.
Esta nova série de artigos no Blog da SBMTI nasce de uma constatação vital: o conhecimento mais genuíno da nossa profissão não está apenas nos livros empoeirados, mas pulsa diariamente na palma das nossas mãos, dentro dos nossos grupos de discussão.
O Networking da SBMTI é um organismo vivo, dinâmico e veloz. Contudo, na velocidade do dia a dia, grandes insights, dúvidas cruciais e debates filosóficos profundos muitas vezes se perdem na “rolagem” da tela.
O objetivo desta coluna é atuar como uma peneira de ouro. Aqui, nós decantamos o fluxo rápido das conversas, selecionamos os temas mais urgentes levantados por vocês — massoterapeutas e terapeutas integrativos de todo o Brasil — e os submetemos ao rigor da análise científica, ética e filosófica.
O que você lerá a seguir não é apenas um artigo de opinião; é a cristalização da inteligência coletiva da nossa categoria. É a prova de que cada dúvida lançada no grupo é a semente de um crescimento profissional robusto.
Preparem-se para mergulhar no que há de mais real e atual na Massoterapia brasileira.
Boa leitura.
1. O Que é Networking? Uma Perspectiva Filosófica e a Prática Integrativa
Em tempos de “Modernidade Líquida“, conceito cunhado pelo sociólogo Zygmunt Bauman para descrever a fragilidade e a superficialidade dos laços humanos contemporâneos, a palavra “Networking” foi perigosamente vulgarizada. No mercado comum, ela foi reduzida a uma mera transação utilitária: uma troca de cartões, um acúmulo de seguidores ou uma busca desesperada por leads. Contudo, na Sociedade Brasileira de Massoterapia e Terapias Integrativas (SBMTI), recusamos essa visão mercantilista. Nós resgatamos o sentido ontológico e filosófico deste termo.
A Ágora Terapêutica: De Aristóteles à Cabine de Atendimento
Aristóteles, em sua obra seminal A Política, definia o homem como um Zoon Politikon (animal político) — um ser que não foi desenhado para o isolamento, mas que só alcança sua Eudaimonia (plenitude ou florescimento humano) vivendo e debatendo na Pólis.
Para o massoterapeuta e o terapeuta integrativo, essa definição é vital. Nossa profissão carrega um paradoxo cruel: a solidão da cabine. Passamos horas em silêncio, doando energia e cuidado, muitas vezes isolados fisicamente entre quatro paredes. Sem um “Networking” real, o terapeuta corre o risco de atrofia técnica e exaustão emocional.
Portanto, o Networking da SBMTI não é um balcão de negócios; é a nossa Ágora Digital. Assim como na praça pública da Grécia Antiga, nossos grupos são o espaço de exercício da Isogoria (o direito de voz igualitária). É o local onde o terapeuta recém-formado e o mestre veterano se encontram para transformar a doxa (a mera opinião, o “eu acho que funciona”) na episteme (o conhecimento científico fundamentado, o “sabemos por que funciona”).
A Dialética do Conhecimento: Filtrando a Pseudociência
Na prática clínica, o Networking atua como uma ferramenta socrática de parturição da verdade (Maiêutica). Quando um colega traz uma dúvida sobre uma nova técnica “milagrosa” vendida no Instagram, o grupo atua como o filtro crítico.
- A Tese: A nova técnica é apresentada.
- A Antítese: O grupo questiona a anatomia, a fisiologia e a segurança (Biossegurança).
- A Síntese: Chegamos à melhor conduta profissional.
Sem essa rede, o terapeuta está vulnerável aos modismos e ao charlatanismo. O Networking é, portanto, nosso Conselho de Ética em tempo real.
Pierre Bourdieu e o Capital Simbólico da Categoria
Aprofundando a análise sociológica, recorremos ao filósofo francês Pierre Bourdieu. Ele nos ensina que o poder na sociedade não vem apenas do capital econômico (dinheiro), mas fundamentalmente do Capital Social e do Capital Simbólico.
O Capital Social é a soma dos recursos atuais ou potenciais que um indivíduo acumula por possuir uma rede durável de relações de reconhecimento mútuo. Sozinho, um massoterapeuta lutando contra a desvalorização profissional possui um capital simbólico frágil. Contudo, ao ingressar no Networking da SBMTI, ocorre um fenômeno de transferência de autoridade.
O terapeuta deixa de ser um indivíduo isolado e passa a deter o Habitus (disposições incorporadas) de um profissional de elite. Ele adquire:
- Capital Cultural: Acesso a bibliografias, leis (como a discussão sobre o PL 1262/2023) e protocolos clínicos de ponta.
- Segurança Jurídica: A certeza de não estar agindo sozinho em um vácuo legal, mas amparado por uma coletividade que entende de jurisprudência e ética.
- Pertencimento Identitário: A validação de que sua prática é saúde, é ciência e é essencial.
Em suma, o Networking na SBMTI é o tecido conectivo que transforma “profissionais soltos” em uma Classe Profissional. É a diferença entre ser apenas alguém que faz massagem e ser um Massoterapeuta, consciente de seu papel na saúde pública e fundamentado na sabedoria coletiva.
2. Para Que Serve um Networking de Verdade? A Fisiologia da Inteligência Coletiva
Se Aristóteles nos disse que o todo é maior que a soma das partes, na SBMTI aplicamos isso à risca. Um grupo de Networking profissional não é uma lista telefônica; ele funciona biologicamente como o Sistema Imunológico da Categoria. Assim como os leucócitos defendem o organismo de patógenos externos, o Networking defende a Massoterapia da degradação técnica e ética.
Entendamos, com rigor científico e filosófico, as quatro funções vitais dessa Ágora Digital:
I. Filtrar o Charlatanismo: A Barreira Epistemológica
Vivemos a era da “Pós-Verdade”, onde crenças pessoais tentam suplantar evidências biológicas. No mercado da saúde, isso gera o charlatanismo — a promessa de cura sem base fisiológica.
- O Papel do Grupo: Atuar com o rigor do Racionalismo Crítico de Karl Popper. Para Popper, a ciência se define pela falseabilidade. No Networking, quando alguém sugere que uma “massagem quântica reconecta o DNA”, o grupo age cientificamente questionando: Qual o mecanismo fisiológico? Onde estão as evidências revisadas por pares?
- Impacto na Prática: Isso protege o terapeuta de investir tempo e dinheiro em pseudociências que geram iatrogenia (danos causados pelo tratamento) ou frustração no cliente. O grupo separa a Técnica Terapêutica (baseada em anatomia e patologia) da Promessa Vazia (pensamento mágico), elevando o nível de respeitabilidade da classe.
II. Proteção Mútua (Deontologia): O Imperativo Categórico na Cabine
A Deontologia (do grego deon, dever) é a ciência do dever moral. Na solidão da cabine, o terapeuta muitas vezes enfrenta dilemas éticos complexos: assédio sexual, limites de atuação ou concorrência desleal.
- Fundamentação Filosófica: Aplicamos o Imperativo Categórico de Kant: “Age de tal modo que a máxima da tua vontade possa valer sempre como princípio de uma legislação universal”. O grupo debate casos reais (anonimizados) para criar uma jurisprudência ética interna.
- Segurança Jurídica: Ao discutir abertamente sobre o PL 1262/2023 e as leis vigentes, prevenimos que o colega cometa infrações por ignorância, como o exercício ilegal da medicina ou publicidade enganosa. O Networking é nossa apólice de seguro moral; é onde aprendemos que a ética não é um fardo, mas a única blindagem real contra processos e a desvalorização.
III. Atualização Científica: A Neuroplasticidade Profissional
A medicina e as terapias integrativas possuem uma meia-vida do conhecimento cada vez mais curta. O que era verdade anatômica há 10 anos (como a visão isolada dos músculos) foi superada pela visão dos Trilhos Anatômicos e da biotensegridade fascial.
- Aceleração do Saber (Andragogia): Livros levam anos para serem publicados. O Networking é instantâneo. Ele funciona como uma sinapse coletiva. Se um artigo sobre o sistema glinfático e massagem é publicado no PubMed hoje de manhã, à tarde ele já está sendo debatido e traduzido no grupo da SBMTI.
- Benefício Educacional: O grupo oferece Educação Continuada baseada em Peer-to-Peer Learning (aprendizado entre pares). O massoterapeuta que está no grupo não estuda apenas quando faz um curso; ele estuda todo dia, absorvendo pílulas de conhecimento clínico que refinam sua mão e seu raciocínio clínico.
IV. Acolhimento Humano: A Cura do “Curador Ferido”
A massoterapia é, paradoxalmente, uma profissão de toque físico constante, mas de isolamento social profundo. Passamos o dia ouvindo as dores do mundo, absorvendo cargas emocionais (transferência), muitas vezes em silêncio absoluto.
- A Visão Existencialista: Jean-Paul Sartre dizia que “o inferno são os outros” apenas quando o olhar do outro nos objetifica. No grupo, ocorre o oposto: o olhar do outro nos valida. Encontramos a Empatia Cognitiva.
- Saúde Mental do Terapeuta: Neurobiologicamente, o sentimento de pertencimento a uma “tribo” reduz os níveis de cortisol (hormônio do estresse) e aumenta a oxitocina. O Networking é o espaço onde o terapeuta pode despir-se da armadura de “cuidador incansável” e admitir: “Estou cansado, minhas mãos doem, tive um cliente difícil”. Esse acolhimento previne a Síndrome de Burnout e mantém a longevidade da carreira.
3. A Importância Estratégica do Networking da SBMTI: O Salto Evolutivo da Carreira
Diferente de grupos genéricos de mensagens, onde imperam o “bom dia” vazio e a disseminação de fake news, o Networking da SBMTI é mediado pela Institucionalidade. Não estamos ali apenas para “conversar”; estamos ali para construir a civilização da Massoterapia no Brasil.
Em Janeiro de 2026, nossa comunidade provou ser um bastião de resistência contra a desinformação. Enquanto o mercado lá fora debatia superficialidades, nós dissecávamos a etimologia de termos médicos, a complexidade da legislação tributária e os protocolos de biossegurança viral.
Mas por que isso é vital? A resposta reside na vantagem competitiva e na segurança jurídica.
O Paradoxo do Crescimento: O “Lobo Solitário” vs. A “Alcateia Técnica”
Na biologia, organismos que vivem em colônias (como corais ou abelhas) prosperam onde indivíduos isolados perecem. Na Massoterapia, a lógica é idêntica. Vamos traçar um paralelo de crescimento entre quem tenta vencer sozinho e quem se beneficia da inteligência coletiva da SBMTI:
| O Terapeuta Solitário (Isolado) | O Terapeuta da SBMTI (Em Rede) |
| Vulnerabilidade Técnica: Diante de um caso complexo (ex: cliente oncológico ou com Doença de Crohn), ele recusa o atendimento por medo ou, pior, atende sem critério, arriscando a saúde do paciente. | Respaldo Científico: Ele lança a dúvida no grupo e recebe, em minutos, protocolos baseados em evidências, orientações de contraindicação e suporte de colegas experientes. Ele atende com segurança. |
| Medo Jurídico: Vive assombrado por fiscais da vigilância ou processos, pois desconhece a legislação (Lei 3.968/61, PL 1262/2023). Sente-se um “clandestino” na própria profissão. | Blindagem Legal: Entende seus direitos e deveres. Sabe até onde pode ir (ex: aferir pressão sem diagnosticar). O Networking funciona como seu departamento jurídico informal, clarificando a deontologia. |
| Estagnação Econômica: Sem parâmetros de mercado, cobra barato por insegurança ou não sabe precificar novas técnicas. É refém da “guerra de preços” local. | Valorização de Mercado: A troca de experiências sobre gestão e precificação eleva sua régua. Ele entende que seu serviço tem valor agregado pelo Capital Simbólico da instituição que o respalda. |
| Exaustão Emocional: Absorve as dores dos clientes e não tem com quem partilhar. O isolamento leva ao Burnout e à sensação de que “só acontece comigo”. | Saúde Mental Coletiva: Encontra validação e acolhimento. Descobre que seus desafios são coletivos e aprende estratégias de resiliência com quem já superou as mesmas barreiras. |
As Vantagens da União: A Solidariedade Orgânica
O sociólogo Émile Durkheim descrevia a “Solidariedade Orgânica” como a coesão social baseada na interdependência e na especialização. No Networking da SBMTI, vivemos isso na prática.
- Aceleração do Aprendizado (Curva de Experiência): O que um colega levou 10 anos para aprender errando, ele transmite em uma mensagem de áudio de 2 minutos. No grupo, você faz o download da experiência alheia, economizando anos de cabeçadas.
- O “Backoffice” Técnico: Imagine ter um conselho de especialistas no seu bolso durante o expediente. Se surge uma dúvida sobre Tantra e ética (como vimos nos debates de janeiro), o grupo fornece a distinção filosófica necessária para que você se posicione com autoridade perante seu cliente, evitando constrangimentos e assédios.
- Força Política: Um massoterapeuta reclamando sozinho é apenas um ruído. Mil massoterapeutas alinhados no Networking são uma Voz Política. É através dessa união que conseguimos pressionar por pautas legislativas e respeito social.
4. Análise Crítica: O Que Aconteceu na “Ágora” em Janeiro de 2026?
Durante este mês, os grupos da SBMTI não foram apenas um canal de comunicação; transformaram-se em um verdadeiro laboratório sociológico e científico da nossa classe. O que presenciamos foi uma efervescência dialética.
Enquanto muitos veem dúvidas e polêmicas como “problemas”, na SBMTI, sob a ótica da filosofia, as enxergamos como o momento da Maiêutica (o parto das ideias). Nossos colegas trouxeram à mesa as angústias reais que os cursos técnico/tecnológico muitas vezes não respondem e que a legislação deixa em aberto.
Como Coordenador e “guardião” da fundamentação técnica, compilei aqui não as respostas finais — pois cada um destes temas exige (e terá!) um artigo exclusivo e profundo nesta coluna —, mas as Provocações Centrais que abalaram nossas estruturas em janeiro.
Se você acha que Massoterapia é “só massagem”, veja o nível dos dilemas que seus colegas estão debatendo agora:
TEMA 1: A Semântica da Gestação – Doença ou Fisiologia?
O debate sobre o atendimento a gestantes transcendeu a técnica e tocou na linguística e na biologia. Uma fala no grupo Networking Estudos acendeu o alerta:
“A gravidez é algo ‘grave’… a própria etimologia da palavra revela uma curiosa conexão com o termo ‘gravidade’, sugerindo peso e risco.”
A Provocação: Será que estamos deixando a etimologia antiga ditar nossa prática clínica moderna? Até que ponto o medo de atender gestantes é técnico e até onde é um mito herdado? Em breve, dissecaremos a fisiologia obstétrica versus a visão patológica da gravidez.
TEMA 2: A Crise de Identidade – “Massagista” ou “Massoterapeuta”?
Aqui, a ferida aberta da nossa legislação foi tocada. A angústia sobre quem somos perante a lei gerou debates acalorados:
“O termo ‘massagista’ da lei de 1961 foi atualizado para massoterapeuta pelo CBO… mas muitos acham que são categorias distintas. Afinal, sou técnico de saúde ou prestador de serviço?”
A Provocação: Você sabe a diferença entre o que diz o Ministério do Trabalho (CBO) e o que diz a Lei Federal 3.968/61? Essa confusão semântica tem custos jurídicos e tributários. Vamos precisar de um artigo inteiro para desatar esse nó jurídico e explicar a importância vital do PL 1262/2023.
TEMA 3: Biossegurança e Estigma – O Caso HIV e Ventosaterapia
Talvez o momento mais tenso e humano do mês, registrado no Grupo de Estudos do Networking. A dúvida técnica esbarrou no medo e na ética:
“Estou na dúvida se posso fazer ventosa em paciente soropositivo (HIV)… Na dúvida, evitei fazer o procedimento.”
A Provocação: Onde termina a biossegurança e começa a discriminação? O vírus HIV passa pela pele íntegra ou pelo suor? A recusa de atendimento protege o terapeuta ou fere o Código de Defesa do Consumidor? Este tema é urgente e exigirá uma análise profunda sobre virologia e ética humanizada.
TEMA 4: O Massoterapeuta Clínico – Aferir ou não Aferir?
No grupo de estudos, a fronteira entre a massoterapia e a enfermagem foi testada. As opiniões dividiram-se radicalmente:
“Massoterapeuta não deve medir pressão… foca-te na massagem!”
Versus
“Deve aferir sim, se souber e tiver habilidade. É segurança para o cliente.”
A Provocação: Medir a pressão arterial (PA) e a glicemia é invasão de competência médica ou é um protocolo básico de triagem para evitar um AVC na maca? Vamos recorrer à legislação da saúde para dar o veredito definitivo sobre nossas competências.
TEMA 5: Tantra, Espiritualidade e a Sombra da Prostituição
O Debate Sobre Tantra e Regulamentação trouxe à tona o “elefante na sala”. A apropriação cultural e a confusão com serviços sexuais:
“A chamada ‘Massagem Tântrica’ de mercado é uma apropriação indevida. O Tantra original é uma filosofia matriarcal e de expansão de consciência, não tem ‘menu de massagens’.”
A Provocação: Como separar a filosofia milenar indiana da deturpação comercial brasileira? A SBMTI precisará se posicionar filosoficamente e historicamente para proteger a imagem da categoria.
TEMA 6: Gênero e Atendimento – O Direito de Escolha vs. Preconceito
Por fim, vimos colegas questionando a dinâmica de atendimento entre homens e mulheres:
“Homem atendendo homem é estranho?”
“Mulher pode recusar atender homem por segurança?”
A Provocação: A escolha do público-alvo é uma estratégia de nicho ou uma violação da isonomia do atendimento em saúde? Vamos discutir assédio, segurança e profissionalismo sem tabus.
Conclusão: O Despertar do Gigante e o Chamado à Elite Terapêutica
Meus nobres colegas, ao encerrarmos esta primeira coluna de “Reflexões do Networking”, olhamos para trás e vemos o terreno fértil que percorremos juntos em janeiro de 2026.
Navegamos pelas águas turvas da semântica da gestação, enfrentamos os dilemas éticos da biossegurança viral, desafiamos a crise de identidade entre “massagista” e “massoterapeuta” e tivemos a coragem de separar a filosofia tântrica sagrada da profanação comercial. Isso não é pouca coisa.
O debate de janeiro nos provou uma verdade inegável: A Massoterapia no Brasil é um gigante que finalmente está acordando.
Por décadas, este gigante dormiu, sedado pela informalidade e pelo complexo de inferioridade. Mas agora, ele se levanta. Contudo, um gigante sem olhos (conhecimento) tropeça nas próprias pernas e derruba tudo ao redor. A força bruta da nossa vontade de trabalhar precisa ser guiada pela visão aguçada da ciência e da lei.
Não Volte para a Caverna
Platão nos ensinou que sair da caverna dói. A luz da verdade ofusca os olhos acostumados à escuridão da ignorância. É mais confortável ficar nas sombras, repetindo mitos antigos (“gestante não pode receber massagem”, “pressão alta é problema de médico”).
Mas eu convido você a ficar na luz.
O Networking da SBMTI é a nossa fogueira permanente. É ali que a chama do conhecimento se mantém acesa. Tentar evoluir sozinho, isolado em sua cabine, é como tentar manter uma vela acesa no meio de uma tempestade. Juntos, somos um incêndio de excelência que o mercado não pode ignorar.
O Convite Institucional: Torne-se SBMTI
A Sociedade Brasileira de Massoterapia e Terapias Integrativas não é apenas uma sigla em um papel timbrado ou uma carteirinha na carteira. Ela é a materialização da nossa honra profissional.
Se você está cansado de ser visto como “apenas um massagista”; se você quer ter o respaldo jurídico para atuar, o suporte científico para argumentar com médicos e a segurança técnica para tocar vidas humanas, o seu lugar não é na margem. O seu lugar é dentro da instituição.
Ingressar na SBMTI é fazer uma declaração pública ao mundo: “Eu não sou um amador. Eu sou um Profissional de Saúde Integrativa, regido por um código de ética, amparado por uma classe e movido pela ciência.”
O Legado que Estamos Construindo
O respeito não se ganha no grito, nem na reclamação de internet; ganha-se na competência silenciosa e irrefutável. Ganha-se quando você abre a boca e o cliente percebe que ali não tem apenas “mãos”, tem cérebro.
Portanto, deixo aqui meu convite final e irrevogável:
- Permaneça no Networking: Faça dele sua sala de aula diária.
- Associe-se à SBMTI: Fortaleça a estrutura que defende o seu ganha-pão.
- Estude sem Cessar: Porque a medicina muda, a lei muda, e quem para no tempo, é atropelado pela história.
Saiam da caverna das opiniões rasas. Venham para a Ágora da fundamentação.
O futuro da Massoterapia no Brasil tem nome, sobrenome e registro profissional. E ele começa com você.
Lembrem-se sempre do nosso mantra:
“Mãos que curam precisam de mentes que estudam.”
Um abraço fraterno e até a próxima reflexão.
Eduardo Henrique
Coordenador Nacional de Terapias Integrativas – SBMTI
(RQMTI-SBES-068)
Filósofo | Massoterapeuta | Eterno Aprendiz
Referências e Bibliografia
A construção deste artigo fundamenta-se na interlocução entre a filosofia clássica, a sociologia contemporânea, a legislação brasileira vigente e os compêndios técnicos da área da saúde. Abaixo, listam-se as obras e documentos consultados.
Filosofia e Sociologia
- ARISTÓTELES. A Política. Tradução de Mário da Gama Kury. 3. ed. Brasília: Editora Universidade de Brasília, 1997.
- BAUMAN, Zygmunt. Modernidade Líquida. Rio de Janeiro: Zahar, 2001.
- BOURDIEU, Pierre. O Poder Simbólico. Tradução de Fernando Tomaz. 16. ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2012.
- DURKHEIM, Émile. Da Divisão do Trabalho Social. 2. ed. São Paulo: Martins Fontes, 1999.
- KANT, Immanuel. Fundamentação da Metafísica dos Costumes. Tradução de Paulo Quintela. Lisboa: Edições 70, 2007.
- PLATÃO. A República. Tradução de Maria Helena da Rocha Pereira. 9. ed. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2001. (Referência à Alegoria da Caverna).
- POPPER, Karl. A Lógica da Pesquisa Científica. São Paulo: Cultrix, 1972.
- SARTRE, Jean-Paul. O Ser e o Nada: Ensaio de Ontologia Fenomenológica. Petrópolis: Vozes, 1997.
Ciências da Saúde e Massoterapia
- AMERICAN PREGNANCY ASSOCIATION. Prenatal Massage: Safety and Benefits. Disponível em: https://americanpregnancy.org/healthy-pregnancy/pregnancy-health-wellness/prenatal-massage/. Acesso em: 28 jan. 2026.
- DONATELLI, Sidney; AMATO, Juliano. Massagem para Gestantes. São Paulo: Ícone, 2012.
- MYERS, Thomas W. Trilhos Anatômicos: meridianos miofasciais para terapeutas manuais e do movimento. 3. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2016.
- PUBMED. Massage Therapy and Glymphatic System Clearance. National Library of Medicine. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov. Acesso em: jan. 2026.
Legislação e Normas Técnicas
- BRASIL. Lei nº 3.968, de 5 de outubro de 1961. Dispõe sobre o exercício da profissão de Massagista. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 06 out. 1961.
- BRASIL. Lei nº 8.078, de 11 de setembro de 1990. Dispõe sobre a proteção do consumidor e dá outras providências (Código de Defesa do Consumidor). Brasília, DF, 1990.
- BRASIL. Projeto de Lei nº 1.262, de 2023. Dispõe sobre a regulamentação da profissão de Massoterapeuta. Câmara dos Deputados, Brasília, DF.
- BRASIL. Ministério do Trabalho e Emprego. Classificação Brasileira de Ocupações (CBO): 3221-20 (Massoterapeuta). Disponível em: http://www.mtecbo.gov.br. Acesso em: jan. 2026.
Documentos Institucionais SBMTI (Fontes Primárias)
- SOCIEDADE BRASILEIRA DE MASSOTERAPIA E TERAPIAS INTEGRATIVAS (SBMTI). Compilado Networking 01/26. Documento interno de debate técnico. Minas Gerais, jan. 2026.
- SOCIEDADE BRASILEIRA DE MASSOTERAPIA E TERAPIAS INTEGRATIVAS (SBMTI). Debate Tantra e Regulamentação. Documento interno de análise ética. Minas Gerais, jan. 2026.
- SOCIEDADE BRASILEIRA DE MASSOTERAPIA E TERAPIAS INTEGRATIVAS (SBMTI). Higiene e Assédio: Protocolos de Conduta. Documento interno. Minas Gerais, jan. 2026.
- SOCIEDADE BRASILEIRA DE MASSOTERAPIA E TERAPIAS INTEGRATIVAS (SBMTI). Networking Estudos: Gestantes e Sinais Vitais. Documento interno. Minas Gerais, jan. 2026.

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