Reflexões do Networking: A Ágora Digital da Massoterapia

Sejam bem-vindos(as) à coluna “Reflexões do Networking”.

Esta nova série de artigos no Blog da SBMTI nasce de uma constatação vital: o conhecimento mais genuíno da nossa profissão não está apenas nos livros empoeirados, mas pulsa diariamente na palma das nossas mãos, dentro dos nossos grupos de discussão.

O Networking da SBMTI é um organismo vivo, dinâmico e veloz. Contudo, na velocidade do dia a dia, grandes insights, dúvidas cruciais e debates filosóficos profundos muitas vezes se perdem na “rolagem” da tela.

O objetivo desta coluna é atuar como uma peneira de ouro. Aqui, nós decantamos o fluxo rápido das conversas, selecionamos os temas mais urgentes levantados por vocês — massoterapeutas e terapeutas integrativos de todo o Brasil — e os submetemos ao rigor da análise científica, ética e filosófica.

O que você lerá a seguir não é apenas um artigo de opinião; é a cristalização da inteligência coletiva da nossa categoria. É a prova de que cada dúvida lançada no grupo é a semente de um crescimento profissional robusto.

Preparem-se para mergulhar no que há de mais real e atual na Massoterapia brasileira.

Boa leitura.

1. O Que é Networking? Uma Perspectiva Filosófica e a Prática Integrativa

Em tempos de “Modernidade Líquida“, conceito cunhado pelo sociólogo Zygmunt Bauman para descrever a fragilidade e a superficialidade dos laços humanos contemporâneos, a palavra “Networking” foi perigosamente vulgarizada. No mercado comum, ela foi reduzida a uma mera transação utilitária: uma troca de cartões, um acúmulo de seguidores ou uma busca desesperada por leads. Contudo, na Sociedade Brasileira de Massoterapia e Terapias Integrativas (SBMTI), recusamos essa visão mercantilista. Nós resgatamos o sentido ontológico e filosófico deste termo.

A Ágora Terapêutica: De Aristóteles à Cabine de Atendimento

Aristóteles, em sua obra seminal A Política, definia o homem como um Zoon Politikon (animal político) — um ser que não foi desenhado para o isolamento, mas que só alcança sua Eudaimonia (plenitude ou florescimento humano) vivendo e debatendo na Pólis.

Para o massoterapeuta e o terapeuta integrativo, essa definição é vital. Nossa profissão carrega um paradoxo cruel: a solidão da cabine. Passamos horas em silêncio, doando energia e cuidado, muitas vezes isolados fisicamente entre quatro paredes. Sem um “Networking” real, o terapeuta corre o risco de atrofia técnica e exaustão emocional.

Portanto, o Networking da SBMTI não é um balcão de negócios; é a nossa Ágora Digital. Assim como na praça pública da Grécia Antiga, nossos grupos são o espaço de exercício da Isogoria (o direito de voz igualitária). É o local onde o terapeuta recém-formado e o mestre veterano se encontram para transformar a doxa (a mera opinião, o “eu acho que funciona”) na episteme (o conhecimento científico fundamentado, o “sabemos por que funciona”).

A Dialética do Conhecimento: Filtrando a Pseudociência

Na prática clínica, o Networking atua como uma ferramenta socrática de parturição da verdade (Maiêutica). Quando um colega traz uma dúvida sobre uma nova técnica “milagrosa” vendida no Instagram, o grupo atua como o filtro crítico.

  • A Tese: A nova técnica é apresentada.
  • A Antítese: O grupo questiona a anatomia, a fisiologia e a segurança (Biossegurança).
  • A Síntese: Chegamos à melhor conduta profissional.

Sem essa rede, o terapeuta está vulnerável aos modismos e ao charlatanismo. O Networking é, portanto, nosso Conselho de Ética em tempo real.

Pierre Bourdieu e o Capital Simbólico da Categoria

Aprofundando a análise sociológica, recorremos ao filósofo francês Pierre Bourdieu. Ele nos ensina que o poder na sociedade não vem apenas do capital econômico (dinheiro), mas fundamentalmente do Capital Social e do Capital Simbólico.

O Capital Social é a soma dos recursos atuais ou potenciais que um indivíduo acumula por possuir uma rede durável de relações de reconhecimento mútuo. Sozinho, um massoterapeuta lutando contra a desvalorização profissional possui um capital simbólico frágil. Contudo, ao ingressar no Networking da SBMTI, ocorre um fenômeno de transferência de autoridade.

O terapeuta deixa de ser um indivíduo isolado e passa a deter o Habitus (disposições incorporadas) de um profissional de elite. Ele adquire:

  1. Capital Cultural: Acesso a bibliografias, leis (como a discussão sobre o PL 1262/2023) e protocolos clínicos de ponta.
  2. Segurança Jurídica: A certeza de não estar agindo sozinho em um vácuo legal, mas amparado por uma coletividade que entende de jurisprudência e ética.
  3. Pertencimento Identitário: A validação de que sua prática é saúde, é ciência e é essencial.

Em suma, o Networking na SBMTI é o tecido conectivo que transforma “profissionais soltos” em uma Classe Profissional. É a diferença entre ser apenas alguém que faz massagem e ser um Massoterapeuta, consciente de seu papel na saúde pública e fundamentado na sabedoria coletiva.


2. Para Que Serve um Networking de Verdade? A Fisiologia da Inteligência Coletiva

Se Aristóteles nos disse que o todo é maior que a soma das partes, na SBMTI aplicamos isso à risca. Um grupo de Networking profissional não é uma lista telefônica; ele funciona biologicamente como o Sistema Imunológico da Categoria. Assim como os leucócitos defendem o organismo de patógenos externos, o Networking defende a Massoterapia da degradação técnica e ética.

Entendamos, com rigor científico e filosófico, as quatro funções vitais dessa Ágora Digital:

I. Filtrar o Charlatanismo: A Barreira Epistemológica

Vivemos a era da “Pós-Verdade”, onde crenças pessoais tentam suplantar evidências biológicas. No mercado da saúde, isso gera o charlatanismo — a promessa de cura sem base fisiológica.

  • O Papel do Grupo: Atuar com o rigor do Racionalismo Crítico de Karl Popper. Para Popper, a ciência se define pela falseabilidade. No Networking, quando alguém sugere que uma “massagem quântica reconecta o DNA”, o grupo age cientificamente questionando: Qual o mecanismo fisiológico? Onde estão as evidências revisadas por pares?
  • Impacto na Prática: Isso protege o terapeuta de investir tempo e dinheiro em pseudociências que geram iatrogenia (danos causados pelo tratamento) ou frustração no cliente. O grupo separa a Técnica Terapêutica (baseada em anatomia e patologia) da Promessa Vazia (pensamento mágico), elevando o nível de respeitabilidade da classe.

II. Proteção Mútua (Deontologia): O Imperativo Categórico na Cabine

A Deontologia (do grego deon, dever) é a ciência do dever moral. Na solidão da cabine, o terapeuta muitas vezes enfrenta dilemas éticos complexos: assédio sexual, limites de atuação ou concorrência desleal.

  • Fundamentação Filosófica: Aplicamos o Imperativo Categórico de Kant: “Age de tal modo que a máxima da tua vontade possa valer sempre como princípio de uma legislação universal”. O grupo debate casos reais (anonimizados) para criar uma jurisprudência ética interna.
  • Segurança Jurídica: Ao discutir abertamente sobre o PL 1262/2023 e as leis vigentes, prevenimos que o colega cometa infrações por ignorância, como o exercício ilegal da medicina ou publicidade enganosa. O Networking é nossa apólice de seguro moral; é onde aprendemos que a ética não é um fardo, mas a única blindagem real contra processos e a desvalorização.

III. Atualização Científica: A Neuroplasticidade Profissional

A medicina e as terapias integrativas possuem uma meia-vida do conhecimento cada vez mais curta. O que era verdade anatômica há 10 anos (como a visão isolada dos músculos) foi superada pela visão dos Trilhos Anatômicos e da biotensegridade fascial.

  • Aceleração do Saber (Andragogia): Livros levam anos para serem publicados. O Networking é instantâneo. Ele funciona como uma sinapse coletiva. Se um artigo sobre o sistema glinfático e massagem é publicado no PubMed hoje de manhã, à tarde ele já está sendo debatido e traduzido no grupo da SBMTI.
  • Benefício Educacional: O grupo oferece Educação Continuada baseada em Peer-to-Peer Learning (aprendizado entre pares). O massoterapeuta que está no grupo não estuda apenas quando faz um curso; ele estuda todo dia, absorvendo pílulas de conhecimento clínico que refinam sua mão e seu raciocínio clínico.

IV. Acolhimento Humano: A Cura do “Curador Ferido”

A massoterapia é, paradoxalmente, uma profissão de toque físico constante, mas de isolamento social profundo. Passamos o dia ouvindo as dores do mundo, absorvendo cargas emocionais (transferência), muitas vezes em silêncio absoluto.

  • A Visão Existencialista: Jean-Paul Sartre dizia que “o inferno são os outros” apenas quando o olhar do outro nos objetifica. No grupo, ocorre o oposto: o olhar do outro nos valida. Encontramos a Empatia Cognitiva.
  • Saúde Mental do Terapeuta: Neurobiologicamente, o sentimento de pertencimento a uma “tribo” reduz os níveis de cortisol (hormônio do estresse) e aumenta a oxitocina. O Networking é o espaço onde o terapeuta pode despir-se da armadura de “cuidador incansável” e admitir: “Estou cansado, minhas mãos doem, tive um cliente difícil”. Esse acolhimento previne a Síndrome de Burnout e mantém a longevidade da carreira.

3. A Importância Estratégica do Networking da SBMTI: O Salto Evolutivo da Carreira

Diferente de grupos genéricos de mensagens, onde imperam o “bom dia” vazio e a disseminação de fake news, o Networking da SBMTI é mediado pela Institucionalidade. Não estamos ali apenas para “conversar”; estamos ali para construir a civilização da Massoterapia no Brasil.

Em Janeiro de 2026, nossa comunidade provou ser um bastião de resistência contra a desinformação. Enquanto o mercado lá fora debatia superficialidades, nós dissecávamos a etimologia de termos médicos, a complexidade da legislação tributária e os protocolos de biossegurança viral.

Mas por que isso é vital? A resposta reside na vantagem competitiva e na segurança jurídica.

O Paradoxo do Crescimento: O “Lobo Solitário” vs. A “Alcateia Técnica”

Na biologia, organismos que vivem em colônias (como corais ou abelhas) prosperam onde indivíduos isolados perecem. Na Massoterapia, a lógica é idêntica. Vamos traçar um paralelo de crescimento entre quem tenta vencer sozinho e quem se beneficia da inteligência coletiva da SBMTI:

O Terapeuta Solitário (Isolado)O Terapeuta da SBMTI (Em Rede)
Vulnerabilidade Técnica: Diante de um caso complexo (ex: cliente oncológico ou com Doença de Crohn), ele recusa o atendimento por medo ou, pior, atende sem critério, arriscando a saúde do paciente.Respaldo Científico: Ele lança a dúvida no grupo e recebe, em minutos, protocolos baseados em evidências, orientações de contraindicação e suporte de colegas experientes. Ele atende com segurança.
Medo Jurídico: Vive assombrado por fiscais da vigilância ou processos, pois desconhece a legislação (Lei 3.968/61, PL 1262/2023). Sente-se um “clandestino” na própria profissão.Blindagem Legal: Entende seus direitos e deveres. Sabe até onde pode ir (ex: aferir pressão sem diagnosticar). O Networking funciona como seu departamento jurídico informal, clarificando a deontologia.
Estagnação Econômica: Sem parâmetros de mercado, cobra barato por insegurança ou não sabe precificar novas técnicas. É refém da “guerra de preços” local.Valorização de Mercado: A troca de experiências sobre gestão e precificação eleva sua régua. Ele entende que seu serviço tem valor agregado pelo Capital Simbólico da instituição que o respalda.
Exaustão Emocional: Absorve as dores dos clientes e não tem com quem partilhar. O isolamento leva ao Burnout e à sensação de que “só acontece comigo”.Saúde Mental Coletiva: Encontra validação e acolhimento. Descobre que seus desafios são coletivos e aprende estratégias de resiliência com quem já superou as mesmas barreiras.

As Vantagens da União: A Solidariedade Orgânica

O sociólogo Émile Durkheim descrevia a “Solidariedade Orgânica” como a coesão social baseada na interdependência e na especialização. No Networking da SBMTI, vivemos isso na prática.

  1. Aceleração do Aprendizado (Curva de Experiência): O que um colega levou 10 anos para aprender errando, ele transmite em uma mensagem de áudio de 2 minutos. No grupo, você faz o download da experiência alheia, economizando anos de cabeçadas.
  2. O “Backoffice” Técnico: Imagine ter um conselho de especialistas no seu bolso durante o expediente. Se surge uma dúvida sobre Tantra e ética (como vimos nos debates de janeiro), o grupo fornece a distinção filosófica necessária para que você se posicione com autoridade perante seu cliente, evitando constrangimentos e assédios.
  3. Força Política: Um massoterapeuta reclamando sozinho é apenas um ruído. Mil massoterapeutas alinhados no Networking são uma Voz Política. É através dessa união que conseguimos pressionar por pautas legislativas e respeito social.

4. Análise Crítica: O Que Aconteceu na “Ágora” em Janeiro de 2026?

Durante este mês, os grupos da SBMTI não foram apenas um canal de comunicação; transformaram-se em um verdadeiro laboratório sociológico e científico da nossa classe. O que presenciamos foi uma efervescência dialética.

Enquanto muitos veem dúvidas e polêmicas como “problemas”, na SBMTI, sob a ótica da filosofia, as enxergamos como o momento da Maiêutica (o parto das ideias). Nossos colegas trouxeram à mesa as angústias reais que os cursos técnico/tecnológico muitas vezes não respondem e que a legislação deixa em aberto.

Como Coordenador e “guardião” da fundamentação técnica, compilei aqui não as respostas finais — pois cada um destes temas exige (e terá!) um artigo exclusivo e profundo nesta coluna —, mas as Provocações Centrais que abalaram nossas estruturas em janeiro.

Se você acha que Massoterapia é “só massagem”, veja o nível dos dilemas que seus colegas estão debatendo agora:

TEMA 1: A Semântica da Gestação – Doença ou Fisiologia?

O debate sobre o atendimento a gestantes transcendeu a técnica e tocou na linguística e na biologia. Uma fala no grupo Networking Estudos acendeu o alerta:

“A gravidez é algo ‘grave’… a própria etimologia da palavra revela uma curiosa conexão com o termo ‘gravidade’, sugerindo peso e risco.”

A Provocação: Será que estamos deixando a etimologia antiga ditar nossa prática clínica moderna? Até que ponto o medo de atender gestantes é técnico e até onde é um mito herdado? Em breve, dissecaremos a fisiologia obstétrica versus a visão patológica da gravidez.

TEMA 2: A Crise de Identidade – “Massagista” ou “Massoterapeuta”?

Aqui, a ferida aberta da nossa legislação foi tocada. A angústia sobre quem somos perante a lei gerou debates acalorados:

“O termo ‘massagista’ da lei de 1961 foi atualizado para massoterapeuta pelo CBO… mas muitos acham que são categorias distintas. Afinal, sou técnico de saúde ou prestador de serviço?”

A Provocação: Você sabe a diferença entre o que diz o Ministério do Trabalho (CBO) e o que diz a Lei Federal 3.968/61? Essa confusão semântica tem custos jurídicos e tributários. Vamos precisar de um artigo inteiro para desatar esse nó jurídico e explicar a importância vital do PL 1262/2023.

TEMA 3: Biossegurança e Estigma – O Caso HIV e Ventosaterapia

Talvez o momento mais tenso e humano do mês, registrado no Grupo de Estudos do Networking. A dúvida técnica esbarrou no medo e na ética:

“Estou na dúvida se posso fazer ventosa em paciente soropositivo (HIV)… Na dúvida, evitei fazer o procedimento.”

A Provocação: Onde termina a biossegurança e começa a discriminação? O vírus HIV passa pela pele íntegra ou pelo suor? A recusa de atendimento protege o terapeuta ou fere o Código de Defesa do Consumidor? Este tema é urgente e exigirá uma análise profunda sobre virologia e ética humanizada.

TEMA 4: O Massoterapeuta Clínico – Aferir ou não Aferir?

No grupo de estudos, a fronteira entre a massoterapia e a enfermagem foi testada. As opiniões dividiram-se radicalmente:

“Massoterapeuta não deve medir pressão… foca-te na massagem!”

Versus

“Deve aferir sim, se souber e tiver habilidade. É segurança para o cliente.”

A Provocação: Medir a pressão arterial (PA) e a glicemia é invasão de competência médica ou é um protocolo básico de triagem para evitar um AVC na maca? Vamos recorrer à legislação da saúde para dar o veredito definitivo sobre nossas competências.

TEMA 5: Tantra, Espiritualidade e a Sombra da Prostituição

O Debate Sobre Tantra e Regulamentação trouxe à tona o “elefante na sala”. A apropriação cultural e a confusão com serviços sexuais:

“A chamada ‘Massagem Tântrica’ de mercado é uma apropriação indevida. O Tantra original é uma filosofia matriarcal e de expansão de consciência, não tem ‘menu de massagens’.”

A Provocação: Como separar a filosofia milenar indiana da deturpação comercial brasileira? A SBMTI precisará se posicionar filosoficamente e historicamente para proteger a imagem da categoria.

TEMA 6: Gênero e Atendimento – O Direito de Escolha vs. Preconceito

Por fim, vimos colegas questionando a dinâmica de atendimento entre homens e mulheres:

“Homem atendendo homem é estranho?”

“Mulher pode recusar atender homem por segurança?”

A Provocação: A escolha do público-alvo é uma estratégia de nicho ou uma violação da isonomia do atendimento em saúde? Vamos discutir assédio, segurança e profissionalismo sem tabus.


Conclusão: O Despertar do Gigante e o Chamado à Elite Terapêutica

Meus nobres colegas, ao encerrarmos esta primeira coluna de “Reflexões do Networking”, olhamos para trás e vemos o terreno fértil que percorremos juntos em janeiro de 2026.

Navegamos pelas águas turvas da semântica da gestação, enfrentamos os dilemas éticos da biossegurança viral, desafiamos a crise de identidade entre “massagista” e “massoterapeuta” e tivemos a coragem de separar a filosofia tântrica sagrada da profanação comercial. Isso não é pouca coisa.

O debate de janeiro nos provou uma verdade inegável: A Massoterapia no Brasil é um gigante que finalmente está acordando.

Por décadas, este gigante dormiu, sedado pela informalidade e pelo complexo de inferioridade. Mas agora, ele se levanta. Contudo, um gigante sem olhos (conhecimento) tropeça nas próprias pernas e derruba tudo ao redor. A força bruta da nossa vontade de trabalhar precisa ser guiada pela visão aguçada da ciência e da lei.

Não Volte para a Caverna

Platão nos ensinou que sair da caverna dói. A luz da verdade ofusca os olhos acostumados à escuridão da ignorância. É mais confortável ficar nas sombras, repetindo mitos antigos (“gestante não pode receber massagem”, “pressão alta é problema de médico”).

Mas eu convido você a ficar na luz.

O Networking da SBMTI é a nossa fogueira permanente. É ali que a chama do conhecimento se mantém acesa. Tentar evoluir sozinho, isolado em sua cabine, é como tentar manter uma vela acesa no meio de uma tempestade. Juntos, somos um incêndio de excelência que o mercado não pode ignorar.

O Convite Institucional: Torne-se SBMTI

A Sociedade Brasileira de Massoterapia e Terapias Integrativas não é apenas uma sigla em um papel timbrado ou uma carteirinha na carteira. Ela é a materialização da nossa honra profissional.

Se você está cansado de ser visto como “apenas um massagista”; se você quer ter o respaldo jurídico para atuar, o suporte científico para argumentar com médicos e a segurança técnica para tocar vidas humanas, o seu lugar não é na margem. O seu lugar é dentro da instituição.

Ingressar na SBMTI é fazer uma declaração pública ao mundo: “Eu não sou um amador. Eu sou um Profissional de Saúde Integrativa, regido por um código de ética, amparado por uma classe e movido pela ciência.”

O Legado que Estamos Construindo

O respeito não se ganha no grito, nem na reclamação de internet; ganha-se na competência silenciosa e irrefutável. Ganha-se quando você abre a boca e o cliente percebe que ali não tem apenas “mãos”, tem cérebro.

Portanto, deixo aqui meu convite final e irrevogável:

  1. Permaneça no Networking: Faça dele sua sala de aula diária.
  2. Associe-se à SBMTI: Fortaleça a estrutura que defende o seu ganha-pão.
  3. Estude sem Cessar: Porque a medicina muda, a lei muda, e quem para no tempo, é atropelado pela história.

Saiam da caverna das opiniões rasas. Venham para a Ágora da fundamentação.

O futuro da Massoterapia no Brasil tem nome, sobrenome e registro profissional. E ele começa com você.

Lembrem-se sempre do nosso mantra:

“Mãos que curam precisam de mentes que estudam.”

Um abraço fraterno e até a próxima reflexão.

Eduardo Henrique

Coordenador Nacional de Terapias Integrativas – SBMTI

(RQMTI-SBES-068)

Filósofo | Massoterapeuta | Eterno Aprendiz

Referências e Bibliografia

A construção deste artigo fundamenta-se na interlocução entre a filosofia clássica, a sociologia contemporânea, a legislação brasileira vigente e os compêndios técnicos da área da saúde. Abaixo, listam-se as obras e documentos consultados.

Filosofia e Sociologia

  • ARISTÓTELES. A Política. Tradução de Mário da Gama Kury. 3. ed. Brasília: Editora Universidade de Brasília, 1997.
  • BAUMAN, Zygmunt. Modernidade Líquida. Rio de Janeiro: Zahar, 2001.
  • BOURDIEU, Pierre. O Poder Simbólico. Tradução de Fernando Tomaz. 16. ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2012.
  • DURKHEIM, Émile. Da Divisão do Trabalho Social. 2. ed. São Paulo: Martins Fontes, 1999.
  • KANT, Immanuel. Fundamentação da Metafísica dos Costumes. Tradução de Paulo Quintela. Lisboa: Edições 70, 2007.
  • PLATÃO. A República. Tradução de Maria Helena da Rocha Pereira. 9. ed. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2001. (Referência à Alegoria da Caverna).
  • POPPER, Karl. A Lógica da Pesquisa Científica. São Paulo: Cultrix, 1972.
  • SARTRE, Jean-Paul. O Ser e o Nada: Ensaio de Ontologia Fenomenológica. Petrópolis: Vozes, 1997.

Ciências da Saúde e Massoterapia

Legislação e Normas Técnicas

  • BRASIL. Lei nº 3.968, de 5 de outubro de 1961. Dispõe sobre o exercício da profissão de Massagista. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 06 out. 1961.
  • BRASIL. Lei nº 8.078, de 11 de setembro de 1990. Dispõe sobre a proteção do consumidor e dá outras providências (Código de Defesa do Consumidor). Brasília, DF, 1990.
  • BRASIL. Projeto de Lei nº 1.262, de 2023. Dispõe sobre a regulamentação da profissão de Massoterapeuta. Câmara dos Deputados, Brasília, DF.
  • BRASIL. Ministério do Trabalho e Emprego. Classificação Brasileira de Ocupações (CBO): 3221-20 (Massoterapeuta). Disponível em: http://www.mtecbo.gov.br. Acesso em: jan. 2026.

Documentos Institucionais SBMTI (Fontes Primárias)

  • SOCIEDADE BRASILEIRA DE MASSOTERAPIA E TERAPIAS INTEGRATIVAS (SBMTI). Compilado Networking 01/26. Documento interno de debate técnico. Minas Gerais, jan. 2026.
  • SOCIEDADE BRASILEIRA DE MASSOTERAPIA E TERAPIAS INTEGRATIVAS (SBMTI). Debate Tantra e Regulamentação. Documento interno de análise ética. Minas Gerais, jan. 2026.
  • SOCIEDADE BRASILEIRA DE MASSOTERAPIA E TERAPIAS INTEGRATIVAS (SBMTI). Higiene e Assédio: Protocolos de Conduta. Documento interno. Minas Gerais, jan. 2026.
  • SOCIEDADE BRASILEIRA DE MASSOTERAPIA E TERAPIAS INTEGRATIVAS (SBMTI). Networking Estudos: Gestantes e Sinais Vitais. Documento interno. Minas Gerais, jan. 2026.

2 respostas para “Reflexões do Networking: A Ágora Digital da Massoterapia”

  1. Avatar de JANE DA SILVA MORAES
    JANE DA SILVA MORAES

    #Nunca mais desejo ficar na caverna .conhecimento e a base de todo proficional.gratidão

    1. Avatar de Eduardo Henrique Massoterapeuta Integrativo

      Muito obrigado!!! E é isso aí, uma vez fora da caverna, devemos nos manter fora dela!!!!
      Sigamos firmes nos estudos e aprimoramentos!!

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